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10/03/2013

Não sou de extremos


Não sou de extremos.
Não sou de calor, nem frio
Sou de outono, e primavera.
Não sou exibida, nem insossa
Sou temperada. E oscilo.
Não sou tagarela, ou bicho do mato
Sou de uma boca, e dois ouvidos.
Não sou de discordar, mas também discordo.
Sei falar e sei silenciar.
Não sou perfeita.
Sou a dúvida.
Por vezes, sou o muro.
Mas não sou de tanto faz.
Quando quero, mostro do que sou capaz. 

25/12/2012

Feliz Natal!!





O dia  que você descobrir que o amor está em bem mais lugares do que numa pessoa somente, você se libertará e não será mais triste. Então ame. Hoje, agora. Seu irmão, seu filho, seu pai e sua mãe, seus avós, seus tios chatos e os legais, os primos, os amigos, ame quem está do seu lado, ame a si mesmo, ame os momentos bons e simples...
Feliz Natal. 

12/11/2012

Naquela noite

Naquela noite,enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De
 
repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Porquê?" Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e volteia dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio", disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito,eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha
envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela.
Por uns segundos,cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior como corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo.
Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas.Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras:"Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui dirigir para o trabalho... fui até o meu novo futuro endereço,saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia... Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe Jane. Eu não quero mais me divorciar".

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe,Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama, morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir...

Valorize quem realmente te ama ... Pense nisso ... !!


**Texto retirado do Facebook. Autor desconhecido. 

06/11/2012

Liberdade

Liberdade individual...


Liberdade a dois...

Liberdade em grupo...

Liberdade das coisas ruins.




 Apenas liberdade. 






26/10/2012

Meus 30

Quem acompanhou o blog até aqui sabe o quanto eu falei sobre a chegada dos 30 anos. Venho falando disso desde quando tudo começou. E eu tinha meus belos 26.

Tinha...

Por que desde o meio deste ano, eu estou vivendo na casa dos 30 e sabe o que mudou?!...

NADA!!

Ok. Algumas coisas mudaram sim. Meu comportamento, minha visão de mundo, minhas responsabilidades, meus objetivos, meu metabolismo, os cuidados comigo mesma.

Mas nada disso aconteceu de um dia para o outro como num passe de mágica! Não é uma mudança de dígitos numéricos que faz com que sua vida se transforme radicalmente. Imaginamos que vamos ganhar um monte de rugas, que o mercado vai fechar as portas pra nós e que se não tivermos encontrado nossa metade da laranja antes, dali em diante seria impossível.

Fazemos um ‘escarcéu’ tão grande... E graças a Deus não é assim que as coisas acontecem. Dificuldades vão aparecer, da mesma forma como quando você começou a andar, aprendeu a escrever, prestou vestibular, custou para encontrar o primeiro emprego...

Me arrependo um pouco de ter surtado com alguns detalhes. Desejos que não se realizaram, metas que não foram atingidas. Perdi algum tempo sofrendo... Ninguém é perfeito, acontece. Mas no fim das contas eu aprendi que não importa a idade que se está completando. Se sua meta ainda não foi cumprida, continue buscando. Se seu sonho não se realizou, repense o quanto ele é importante, o quanto ele está ao seu alcance e continue sonhando e lutando por ele.

Eu sou feliz aos 30 anos. Fui feliz antes, e creio que serei feliz depois.

E levo todo o ‘drama’ da vida pré-balzaquiana como um aprendizado. Foi bom passar, não pela crise, mas pela reflexão. Afinal, são três décadas de história. Duas fases da vida concluídas e uma nova e longa se iniciando.

É pra comemorar! É pra relembrar! E mais importante, é pra olhar pra frente!

Tô feliz, muito.

#ouvindo Sleep Away - Bob Acri (ouça também no link abaixo)

20/10/2012

Teorias do amor

― O amor... Na teoria... É fácil. ― as palavras dela ecoaram pela minha cabeça e se repetiram várias vezes.

Havia sido uma tarde longa, gostosa, mas cansativa. Tantos eram os problemas divididos. O amor, na teoria era fácil... Porque na prática, nós o complicamos.

Mas hoje não vim falar de problemas e dúvidas. Porque coincidentemente, logo que cheguei em casa, ouvi uma história que espero que a família não fique chateada em vê-la compartilhada aqui.

"Numa manhã qualquer, um senhor de seus noventa e poucos anos chamou a esposa, também beirando os noventa, para lhe dar parabéns por seu aniversário.
Sem entender, a esposa se virou para ele e disse que ele estava confundindo. Seu aniversário era somente dali a alguns dias.
Surpreendentemente, o senhor disse a ela que não. Ele estava se antecipando, porque não estaria lá quando o aniversário chegasse.
Ele não estava doente, não estava debilitado. Mas sentiu que era sua hora de partir. E assim como fez com a esposa, passou o dia falando com a família em tom de despedida.
No fim da tarde, inesperadamente, ele faleceu.
A senhora ainda viveu por mais alguns anos. Porém, nunca mais saiu de casa. “Ele pode vir me buscar e eu tenho que estar aqui”, ela dizia. Ela ficou a espera dele, até o dia dela chegar."

Apesar de triste, a história me encheu de felicidade. Os parentes contaram que os dois eram muito unidos, que ainda namoravam mesmo com a idade avançada.

E me pus logo a pensar: Se existe amor, existe e pronto! Qual é a complicação disso?

Não há defeito, problema, dificuldade, diferença que possa vencer um sentimento verdadeiro.

#ouvindo Procuro um amor - Frejat

17/10/2012

Chavões

Aposto que você já disse uma dessas frases:

Homens:  “Minha ex era maluca!”

Mulheres:  “Você nunca mais vai encontrar uma mulher como eu.”

Ah... Relacionamentos... São todos iguais. 


26/09/2012

Linda menina


E ali estavam os olhinhos daquela linda menina.

Tão inocente, tão doce, muito pequena ainda.
Olhei fundo, suspirei junto, abri meu sorriso.
A mais sincera expressão da verdade.
E o coração se enche de felicidade.
Agora em meus braços, sinto o cheiro gostoso de bebê.
Como será que você vê o que eu posso ver?
Sinto um calorzinho aconchegante.
Penso o quanto eu quero te proteger.
Penso na vida inteira que há pela frente.
E como ela vai precisar da gente...
Ah...
Se eu pudesse, menina linda, eu nunca deixaria ninguém te fazer sofrer.
E ela me olha de novo. Entre um piscar e outro, ela se ajeita, sonolenta.
Ah tia... Fica calma, não esquenta... 

16/09/2012

A última solteira

Por pelo menos 15 anos elas viveram a mesma cena. Se reuniam para matar a saudade, para contar as novidades, tentar resolver os problemas e espalhar algumas fofocas... Não existia sessão de terapia melhor do que um encontro com as amigas de tanto tempo.

E o tempo voa não? Passaram formaturas, trabalhos, viagens, casamentos, bebês...

Então, das quatro em volta da mesa, havia três alianças nos dedos.

As amigas de Bia eram agora senhoras fulano de tal. Coisa que nunca afetou o comportamento de cada uma, muito menos a amizade entre elas.

Porém no último encontro, Bia, que sempre teve uma postura mais comedida, foi alvo de três olhares esperançosos, ávidos por novidades! Eram três casadas, buscando as aventuras da última solteira.

Bia não soube dizer na hora se aquilo era um complô para que ela se sentisse parte ainda do grupo; numa tentativa de que ela não se sentisse triste ou só; ou se as amigas estavam realmente interessadas nas baladas e pistas da vida.

Mas durante toda a conversa ela entendeu uma coisa. Solteiras idealizam, mas não sabem o que é a vida de casado. E as casadas sofrem uma amnésia, não se lembram como elas eram quando solteiras. Tudo tem seu lado bom e ruim.

No entanto, ao final do dia, ela não conseguiu tirar uma pergunta da cabeça: será o casamento o fim das aventuras?

Bia sinceramente espera que não. 

10/09/2012

Impasses de amor


Se você está desesperançosa, desistindo de amar, cansada dos próprios problemas, jogando a toalha mesmo, acho melhor não ler esse texto... Ou ler.

O que aconteceu foi de certa forma engraçado. Eu podia dizer que foi triste, baseado nas histórias que ouvi, mas é sempre melhor levar as coisas para o lado positivo, para o bom humor. Por isso, foi engraçado.

Você tem um problema no relacionamento? Ou já teve?

Pois das cinco mulheres que conversavam juntas, todas tinham alguma coisa pra resolver. Alguma coisa que não estava dando certo.

Falta de comprometimento, dificuldades financeiras, dependência da família, bebedeira, excesso de trabalho... Cada uma com um perfil de homem diferente e cada um deles com o seu problema específico. Porém todas com a mesma dúvida na cabeça:

Vale a pena continuar?
...

E agora você está se perguntando por que os relacionamentos têm que ser tão complicados. E eu respondo de cara que quem cria essas complicações somos nós mesmos. Somos adultos, pessoas independentes, com nosso trabalho, metas, gostos individuais, com momentos de cansaço de stress e momentos de felicidade. Se conciliar duas vidas que se dão bem já é um desafio... Como conciliar uma vida que pode estar toda “certinha” com a de outra pessoa que pode não estar num momento igual ao seu?
...

O que eu vou dizer a seguir não são conselhos. Não acho que eu seja a pessoa certa pra isso. Cada um deve avaliar, pensar bastante para tomar suas próprias decisões. Mas eu posso ampliar o debate. (como sempre!).

É clichê, mas é verdade: “Não existe homem perfeito”. Assim como não existe mulher perfeita. E um dos maiores erros da mulher é esperar demais da outra pessoa. Esperamos atitudes, mudanças, coisas que por várias vezes nem comunicamos que estamos esperando por aquilo. Ninguém lê pensamentos, assim como é muito difícil uma pessoa mudar um tipo de atitude depois de anos de vida. (Não é impossível, mas é difícil).

Não estou dizendo que a mulher deva sucumbir aos problemas do outro e aceitá-los. De forma alguma! Acredito que o ideal é o equilíbrio. É um relacionamento, não um contrato de trabalho, porém, que ambas as partes se sintam confortáveis para dar continuidade a seus planos, sem que pese pra um ou para o outro.  (muita comunicação franca nessa hora!)

Qual é o seu limite? O quanto você está disposta a abrir mão? Até onde você suporta o problema?

Já parou pra pensar se fosse ao contrário, como ele se comportaria?

E o amor gente?! Onde ele entra no meio disso tudo?

Depois de um tempo o romance esfria, a paixão inicial passa. Mas daí a passar toda uma burocracia por cima do relacionamento é por que algo está definitivamente errado.

Se não houver amor, respeito, companheirismo, amizade para aguentar qualquer barra, de que adianta então?

Muita coisa pra pensar né... É, relacionamentos são complicados mesmo.

...

#ouvindo Coldplay - Viva La Vida

20/07/2011

Uma casa na água

Essa noite tive um sonho estranho. Mais um, dos que geralmente vem ao meu encontro durante a madrugada.

Eu estava numa casa pequena, me lembro da cozinha minúscula, e uma sala apenas. Havia muitas pessoas lá dentro. E eu parecia feliz. Havia comida, conversa, bebida, e o mais interessante de tudo, eu estava cercada pelo mar.

Não era uma água cristalina, mas ela vinha até a porta de casa, e havia sol, eu queria e fui mergulhar.

Nadei, nadei, andei pela água. Aproveitei. E depois voltei pra casa. Me sequei. Comi. E escureceu.

Foi aí que me senti diferente. Não havia mais tantas pessoas, mas o lugar não era mais tão aconchegante. A maré havia subido e eu conseguia ver outras casas distantes, mas era impossível chegar até elas, não havia mais como nadar, era muito fundo, eu estava pesada e o mar batia com força.

Acordei quando a água começou a invadir a casa. Acordei sufocada.

...

Não sei se isso acontece somente com os geminianos. Mas rotina é uma coisa que não me agrada. As coisas, as pessoas, os lugares. Tudo pode ser incrivelmente agradável, mas se for repetidamente igual, eu me canso.

Não estou dizendo que enjôo das pessoas. Mas sim, prefiro deixá-las ter o espaço delas, sentir saudade, pra que o reencontro seja sempre maravilhoso.

E eu preciso do meu espaço também. Talvez seja por isso que a casa que antes era tão pequena, só me incomodou depois.

Não gosto de nada marcado, agendado, que vira obrigação. Gosto do acaso, da surpresa, da novidade. Do diferente. E se o diferente já for conhecido, perde a graça. Perde mesmo. Passar pelos mesmos problemas? Não faz muito sentido. É sinal de que há alguma coisa errada, fora do lugar.

Um sonho como esse pode ter tremendas interpretações. Você pode até dizer que, o eu queria era saber o que havia nas outras casas. Geminianos são curiosos.

Mas a sensação não era boa. Havia a vontade de ir além, de avançar, de crescer, mas eu era forçada a ficar na casa. Por conta do mar que avançava, eu estava presa naquele lugar, sabe lá Deus por quanto tempo.

#ouvindo Marvin Gaye – Ain’t no sunshine when she’s gone

24/05/2011

Tudo novo

Neste novo momento da minha vida, entre as congratulações e os conselhos (e até algumas ameaças do tipo: vê se não faz bobagem!), teve um conselho que procuro botar em prática todos os dias.

Foram na verdade, duas amigas queridas que me fizeram enxergar uma questão, que se não compreendida, é possível que uma pessoa a carregue para qualquer relacionamento que venha a ter. (Uma auto-análise é sempre interessante, antes de dividir a vida com quem quer que seja)

A primeira amiga, com palavras claras, porém fortes, insistiu em me explicar como as pessoas podem ser diferentes. E que a brincadeira “homem é tudo igual”, tirando algumas manias em comum, não passa mesmo de uma brincadeira.

Ao final de nossa conversa, ela resumiu tudo o que queria dizer numa só palavra. Palavra esta que me lembro todos os dias: DESARME-SE!

A idéia é guardar todas as experiências que se teve. Deixá-las no passado. E entrar na nova fase completamente desarmada, sem pedras nas mãos. Sempre esperar para agir, conhecer primeiro, esperar a atitude do outro e não atropelá-la, achando que obterá um resultado que já teve antes. E assim, evitamos estresses desnecessários e aproveitamos a melhor fase do relacionamento, a fase de conhecer.

Não sei se estou conseguindo passar a profundidade da questão, mas achei o conselho de extrema importância. Principalmente porque lida com nossa ansiedade, nossos medos e nossa impaciência (de querer tudo pra ontem, tin tin por tin tin, como é difícil isso!)

E aí o conselho da segunda amiga complementou. É preciso reconhecer, assumir e se desarmar dos seus próprios defeitos e dificuldades também. Pode ser uma pessoa diferente, mas se você continua igual (em se tratando de atitudes ruins) que avanços você acha que vai ter?

Não estou dizendo pra iniciar a relação cega, surda, muda e burra! Que fique claro!

Mas faz muita diferença quando controlamos os instintos, damos uma chance, afinal... É uma pessoa diferente. Ou pelo menos, esperamos que seja.

E se por acaso não for, podemos dizer que pelo menos fizemos nossa parte, tentamos.

28/04/2011

Fora de Controle

Tenho andado com muita vontade de escrever. Mas como já mencionei aqui, as palavras têm me faltado, ou melhor, tem me faltado a estruturação delas. A montagem. Então resolvi escrever hoje sem edição, sem pensar duas vezes e quem sabe, ao final, conseguir tirar da minha cabeça essas estórias que fazem questão em não migrar para o papel.

No entanto, agora escrevendo (e relendo, pois não consigo ficar sem editar), talvez tenha descoberto o motivo pelo qual não consigo montar um texto de forma que eu goste de verdade.

Estou num momento de transição. Com tudo fora do lugar, desde minha casa, meu quarto até minha cabeça, meu coração!

Sim... Só pode ser por isso que minhas ‘idéias’ estão tão atordoadas. Falta a organização que eu sempre fui acostumada a ter. E agora não tenho, porque as coisas fogem ao meu controle.

Foge na casa, porque dependo de outros que me ajudem a arrumá-la. Foge no quarto porque mudei as coisas de lugar e ainda não me sinto confortável, inserida no ambiente (e estou sem meus gatos! Snif snif!!).

Foge na cabeça, porque são tantas as atividades do dia-a-dia que nem um encontro com as minhas amigas de infância eu consigo marcar. (Trágico!)

Foge do coração, porque descobri que estar num novo relacionamento pode ser tão intrigante quanto retornar a vida de solteira.

Eu achava que havia descoberto tudo sobre mim nesse tempo de afastamento. Mas parece que tenho muita coisa por saber ainda. (E sabe que isso me motiva?)

Então, enquanto tudo isso estiver fora do lugar, acho difícil que eu consiga me expressar como de sempre. Com a mesma espontaneidade. Mas peço que não desistam. Estarei por aqui, em breve.

#ouvindo Jack Johnson – Anything but the truth

28/03/2011

Sincronia

Nada como uma boa balada para renovar as idéias e aguçar a inspiração. A banda estava no palco, tocava uma música romântica, e a pequena platéia, eu inclusive, balançava da direita para a esquerda numa sincronia lenta e perfeita.

Mencionei que só havia casais? Pois é... Só havia casais.

Num outro momento da vida, essa cena teria sido comparada aqui no blog, ao clímax de um filme cômico/trágico. Aquele em que a solteira, no auge do seu desespero, decide finalmente tomar uma atitude, seja ela uma burrada qualquer, ou o encontro de um final feliz.

Mas como disse, o momento é outro. E a sincronia daquela dança me fez pensar num outro tipo de sincronismo: a de duas pessoas diferentes, tentando acertar seus próprios passos.

Imaginei cada um daqueles casais. Como será que se conheceram? Ou será que se reencontraram? Há quanto tempo estariam juntos? Será que realmente se dão bem?...

Na fase adulta é muito mais difícil se relacionar com alguém. Dividir seu espaço, fazer concessões, encarar e respeitar as opiniões já formadas de cada um. É muita coisa em jogo!

Tem gente que desiste antes mesmo de começar. Itens como responsabilidade, distância, família, finanças, trabalho, filhos, objetivos, respeito... Tudo é levado em consideração na hora de escolher o que achamos ser o nosso “melhor par”. Independente dos beijos, do romance, do papo, da beleza e quiçá do sexo.

Parece um pouco burocrático eu sei, mas passado o encantamento inicial (o que nos leva até o outro) fazemos isso naturalmente. Colocar o coração para funcionar em conjunto com a razão. Uma forma de se resguardar talvez. Ou uma maneira de planejar o futuro, e responder a tão usada pergunta “onde isso vai dar?”. (E muitos querem essa resposta logo no início, tenhamos paciência gente!)

De uma coisa eu acho que sei. Não existe sincronia perfeita em relacionamentos. Existe na dança, mas em relacionamentos eu não acredito. No entanto, se a gente não tenta, não experimenta, se não damos a chance de conhecer a outra pessoa; como saber como a história terminaria?

Quando você dança com alguém pela primeira vez e ele(a) pisa no seu pé, você pára de dançar ou pratica mais um pouco até acertar o passo?

(continua nos próximos posts!)

18/02/2011

Nunca desista

Às vezes a gente está no limite da paciência, a beira da explosão, com a bateria do amor lá no finalzinho, com um palitinho só, precisando ser recarregada. Mas infelizmente (ou felizmente), nada acontece.

Resolvi falar sobre isso hoje porque tem gente que precisa ler (e ouvir) e acreditar que tudo vai ficar bem. Eu sei que é clichê, sei que não estou na sua pele, mas fizeram isso por mim, e agora faço por você.

Por mais que as coisas não aconteçam, não saiam do lugar, e que você se sinta isolada, com a impressão de que tudo lá fora gira, e você continua parada; por mais que isso esteja acontecendo agora, não quer dizer que vai acontecer pra sempre. Não dá... Não podemos... Você não pode: desistir do amor, desistir de ser feliz.

Você há de fazer sua parte, de correr atrás, de desejar, de pedir, de rezar, brigar, de buscar, de fazer mandinga, de brincar... Mas não desista do amor.

Eu sei... Você já fez tudo isso e mesmo assim nada aconteceu.

Acredito que o universo conspira a nosso favor. E nesse caso, são tantas as possibilidades... Ele pode não ser a pessoa certa pra você, ou pode ser que ainda não seja o melhor momento para vocês ficarem juntos. De uma coisa eu sei, é hora de mudar de assunto. De deixar que outras coisas tomem o seu tempo e o seu pensamento, fazer com que todos os seus pedidos sejam esquecidos temporariamente.

Temos que rir amiga, aproveitar o que temos por perto, a família, os amigos, os vizinhos, os cachorros e os gatos! Temos que sair de casa, criar novas oportunidades, enxergar coisas novas, fazer um caminho diferente nem que seja andar do outro lado da calçada.

E assim vamos nos cuidando, aprendendo e nos preparando. Ninguém vai poder te explicar porque nossa vida é assim, porque uma pessoa tem enquanto a outra não, porque as coisas acontecem de uma forma ou de outra... O mais certo de tudo é dar valor ao agora, ao presente e o que vier pela frente, é lucro!

Você já é feliz, só quer ser um pouco mais. E não tem nada de errado nisso.

#ouvindo Corinne Bailey Ray – Butterfly

26/01/2011

Tempo

“O tempo é muito relativo” ― Ele me disse durante uma discussão sobre a duração de relacionamentos, o tempo para chegar ao altar, o momento de descasar. Mas é a mais pura verdade que antes mesmo que ele fizesse essa observação, eu havia chegado à mesma conclusão partindo de outro ponto de vista; o meu próprio blog.

Relendo algumas coisas percebi o quanto nossa percepção sobre o tempo pode variar em relação a si próprio ou aos outros. O que eu penso sobre o tempo hoje, pode ser diferente do que você pensa, e daqui a alguns anos é possível que pensemos de forma totalmente oposta.

Você acha que 7 anos de namoro é muito tempo? E seis meses? Será o suficiente para resultar num casamento?... Dependendo da sua “bagagem”, da sua e da minha experiência, nossas opiniões sobre essas perguntas vão divergir.

Não há unanimidade quando o assunto é tempo. A não ser quando dizemos que ele passa, cura e que ele ajuda... E isso eu não discuto. (E o que ficou pra trás é história)

Mas cometi um grave erro: avancei no tempo, sem necessidade. Mais ou menos como quando a gente deseja ter 15 anos quando tem apenas 10, ou quer ter 21 quando tem 17. Deixamos de viver o momento porque almejamos o futuro. (Lado bom e lado ruim, mas enfim...)

No meu caso, por conta de um desgaste mental, do ambiente em que eu vivia e da percepção de tempo das pessoas a minha volta, eu me senti “a beira dos 30 anos”. Quando na verdade a minha idade era 26, ou seja, faltavam longos 4 anos para eu chegar aos 30, mas já me sentia lá.

E pior do que isso; fiz dos “30” uma idade ultimato, ponto final, última parada, como se não houvesse nada depois dela. Como conseqüência dessa forma de pensar, eu avancei fases, sofri um bocado, deixei de fazer algumas coisas e usei, por várias vezes o “quase 30” como desculpa.

Sorte que de repente a gente tem um “estalo”. E toda a sua percepção sobre o tempo muda. (Não sei explicar exatamente quando essa ficha caiu) E, apesar de mais próximo, eu ainda não tenho 30. Nem 40, nem 50. Eu tenho é muito tempo pela frente, assim espero. Nunca valorizei tanto o presente. Me surpreendo ao chegar a essa conclusão. Melhor... Fico feliz!

Obs.: Mudarei a descrição do blog em breve, já não combina mais comigo!

20/12/2010

Do lado de cá

Já havia gostado da música e agora gostei mais ainda depois da montagem que encontrei no Youtube. Deixo o vídeo como inspiração para o ano que se inicia!!!
( montagem feita por @leidiani_ )
Desejo à todos um Feliz Natal e um 2011 de muita tranquilidade, paz, criatividade, saúde, alegria e muito, muito AMOR!!!
Tin tin!! Cheers!

06/12/2010

A salvação

Quando ela bateu o pé e disse “que ficaria com ele não importasse o quê;” não entendi de imediato o que ela estava realmente sentindo. O que ela tinha visto nele, como o escolheu no meio de tanta (ou nem tanta) gente.

Depois de um tempo sozinha (não vale dizer quanto), é comum deixar a ansiedade tomar conta de você. Comum não quer dizer que seja certo, mas já vi acontecer, e acho que é o que tem acontecido.

Imagine-se num cômodo fechado, em meio a pessoas que você conhece e desconhece, com caras boas e ruins. Todos passam por você, alguns te olham e até conversam, mas ninguém se arrisca a te tirar de lá, simplesmente porque não querem.

Certo. Você não é bobo, você tenta, e tenta, e tenta, mas nada muda. Você está preso lá e não consegue sair.

E aí você cria expectativa, monta táticas, estratégias, procura defeitos, analisa cada passo, ganha força e confiança pra tentar de novo. Foca no “É hoje” que eu saio daqui, mas você volta do mesmo jeito que foi, sem sucesso. (Barra!!!)

Eis que de repente alguém novo lhe dá mais atenção que os outros. Você não pensaria duas vezes, pensaria? Mesmo sem saber quem ele é, o que ele faz, o que pensa ou o que quer de você, você deixaria essa oportunidade passar? Ou agarraria com todas as forças como uma forma de salvação?

Eu acho que foi assim que ela se sentiu quando ele apareceu. Isso pode dar certo, mas também pode dar tudo errado. (Não gosto nem de imaginar como seria cair deste cavalo).

A ansiedade fala muito mais alto. E a gente mete os pés pelas mãos, fala o que não deve, age diferente de sua própria essência, faz coisas que... Enfim, tem um pouco de desespero nisso. (Mas como não ter?!)

E aí quando esse suposto salvador se aproxima, está tudo tão nebuloso e confuso que seu futuro inteiro passa diante de seus olhos, como se fosse possível premeditá-lo. Inútil, uma viagem, eu sei. E frustração vem em seguida, claro.

E aí você pondera coisas que não fazem diferença naquele momento. Antes você só queria sair dali. Agora somente sair é pouco, você quer saber o que vem depois. (E depois pode ser mais um cômodo sem saída)

A culpa não é sua, na verdade ninguém tem culpa, só essa maldita ansiedade.

“Não ponha a carroça na frente dos bois”.

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